Marca do Crea-AC para impressão
Disponível em <https://creaac.org.br/carmem-nardino-e-a-primeira-engenheira-civil-a-presidir-o-crea-ac/>.
Acesso em 01/03/2024 às 07h00.

Carmem Nardino é a primeira engenheira civil a presidir o Crea-AC

1 de janeiro de 2021, às 12h33 - Tempo de leitura aproximado: 8 minutos

Acreana de Cruzeiro do Sul, formada na Escola de Engenharia Veiga de Almeida (RJ), servidora pública concursada como engenheira civil, atuante no Sistema Confea/Cea e Mútua desde 2013, Carmem Bastos Nardino é a segunda mulher a presidir o Crea Acre, seu mandato se inicia em 2021.
Carmem tem um extenso currículo, com ênfase no trabalho desenvolvido junto ao Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco/(SaeRB) onde trabalha há mais de 20 anos.
A profissional também foi diretora administrativa por dois mandados, participou ativamente da luta pela criação da Lei do Engenheiro de 2006, e da Lei Cartaxo de 2008, conquista que contribuiu para os planos de cargos, carreiras e salários dos engenheiros servidores da prefeitura e no Estado. Foi diretora de Fiscalização de Obras e Urbanismo de Rio Branco, onde fez parte da comissão municipal de revisão do plano diretor urbano, Código de Obras e Código de Postura. Atualmente e Diretora Geral da Mútua AC, eleita em 2015, reeleita em 2018, foi conselheira Regional e atuou como diretora administrativa e vice-presidente.

1)    Site: A senhora acredita que esse crescimento da representação feminina no Sistema já é fruto do Programa Mulher?

Carmem Nardino – Acredito que de alguma forma contribuiu sim, na medida em que o Programa Mulher vem dando visibilidade da participação e atuação exitosa das mulheres no Sistema Confea/Crea e Mútua, estimulando e incentivando um número maior de profissionais a concorrerem aos cargos eletivos. No entanto, ainda temos um longo caminho a ser trilhado nas estratégias e argumentações, não somente para ampliar a representação feminina dentro do Sistema Confea/Crea e Mútua, mas também para assegurar a sua participação equitativa nos espaços de poder e tomada de decisões.

2)    Site: Qual a importância de trabalhar essa equidade de gênero, principalmente no Sistema Confea/Crea e Mútua, que é composto em sua grande parte por homens?

Carmem Nardino – No momento em que a sociedade reconhece que precisamos reverter os números desfavoráveis às mulheres no mercado de trabalho, se apresenta não só como de suma importância trabalhar essa equidade de gênero, mas também uma grande oportunidade de participar dessa mudança em nosso sistema profissional, que é composto em sua grande parte por homens.

3)    Site: Neste triênio à frente do Crea-AC, quais os principais desafios já mapeados que demandam esforço e atuação? Eles constam da agenda de prioridades, como serão tratados e quais resultados positivos irão gerar?

Carmem Nardino – A construção de um Conselho mais próximo dos profissionais é a idealização de um projeto que queremos realizar nos próximos três anos, por isso, muitos são os desafios. Um deles, que considero ser a maior demanda, é tornar a fiscalização estratégica no combate ao exercício leigo e não ético da profissão, resgatando o caráter mais educativo, com ações preventivas e orientativas, fazendo com que o conselho amplie o número de ARTs. Para isso, vamos fortalecer a atuação das câmaras especializadas na elaboração dos planos e diretrizes estratégicas da fiscalização, e também buscar uma maior eficiência da gerencia de fiscalização mediante ações de fortalecimento da sua equipe, capacitada, estruturada e otimizada. A parceria com as entidades de classe e com as instituições de ensino é outra prioridade, já que elas representam os profissionais no Plenário do Crea pelos seus Conselheiros e atuam juntamente com o conselho zelando pela ética profissional, cuidando dos interesses dos profissionais e defendendo a sociedade. Por meio dessas parcerias, vamos promover a participação e o envolvimento dos profissionais nos debates de temas de interesse das profissões e da sociedade e também realizar cursos em diferentes áreas, preparando os profissionais para os novos desafios do mercado de trabalho. O recém-formado que está ingressando no Sistema Profissional também necessita de orientação no início de sua carreira profissional, para isso, vamos fortalecer o Programa Crea-JR, aproximando os estudantes do Sistema Profissional, e também apoiar e incentivar o desenvolvimento de projetos que contribuam com a ampliação do mercado de trabalho. Outro ponto que vamos atuar é para tornar o Crea-AC mais moderno e ágil, para isso, vamos incorporar novas tecnologias e ferramentas de trabalho nas suas atividades, identificar e eliminar burocracias desnecessárias, simplificar processos, reduzindo prazos e facilitando o acesso aos serviços. Através de programas de capacitação, vamos promover a capacitação continuada dos servidores, dos nossos conselheiros e inspetores para que desempenhem seus papéis com segurança e qualidade. Manter um canal de diálogo e melhorar a comunicação com o profissional, reduzindo o distanciamento entre o profissional e o Crea, é também uma das prioridades. E também, estar mais próximo da sociedade, por meio de uma comunicação mais efetiva sobre o papel do Crea-AC como instituição de referência na defesa da sociedade.

4)    Site: A senhora acredita que o Sistema Confea/Crea e Mútua demanda uma readequação de seus procedimentos? Por quê? Se sim, qual tipo de reestruturação é necessária e como a gestão da senhora irá atuar neste sentido?

Carmem Nardino  – Vejo sim a necessidade de readequação de seus procedimentos, de revisão dos seus normativos, de adotar as medidas para uma maior transparência, e também de empreender mais agilidade na gestão incorporando novas tecnologias e ferramentas de trabalho. Considero importante a revisão dos normativos do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Sistema Confea/Creas e Mútua (Prodesu) para que se torne mais acessível. Outro ponto importante é a implantação definitiva da ART Nacional, que vai permitir a padronização e a integração do banco de dados dos profissionais. Padronizar as regras, definindo parâmetros para a concessão de atribuições também é extremamente necessário. Os procedimentos e estratégias voltadas para a valorização das profissões e dos profissionais também precisam ser inovados para que a engenharia ocupe de fato lugar central na retomado do desenvolvimento do país. Nesse contexto, vamos fortalecer as parcerias com as instituições de ensino, empresas e entidades ligadas ao Sistema para a valorização profissional. Por meio dessas parcerias, vamos também promover a participação e o envolvimento dos profissionais nos debates de temas de interesse das profissões e da sociedade, como formação, Ensino a Distância (EaD), exercício ético das profissões, fiscalização, mercado de trabalho, valorização das profissões, atribuição profissional e outros.

5)    Site: Acredita que a integração dos Creas dentro da região geográfica e de forma nacional é importante? Se sim, quais caminhos possíveis, dos pontos de vista institucional e político? Quais vantagens esse movimento pode gerar para o Sistema e para os profissionais do setor?

Carmem Nardino  – Acredito que a integração envolvendo Creas da mesma área geográfica possibilitará um melhor entendimento das dificuldades enfrentadas pelas instituições e facilitará a uniformização de atuação e conduta. Considero que sim, uma vez que essa integração traz um melhor conhecimento das dificuldades enfrentadas pelos Regionais, promove a troca de experiência e a cooperação entre os Creas, e permite a adoção de medidas padronizadas, contribuindo para a melhoria da qualidade dos serviços prestados. Do ponto de vista institucional e político, é possível trabalhar o planejamento estratégico do Sistema Confea/Crea e Mútua de forma regionalizada, que demanda iniciativas específicas, buscando uma melhor distribuição dos recursos, contribuindo para a redução das desigualdades entre os conselhos. Citamos ainda aqui a possibilidade de planejamento das ações de fiscalização regionalizada, de acordo com as necessidades e potencialidades locais, como também propor a celebração de convênios de cooperação técnica entre os Creas para o aperfeiçoamento dessas ações de fiscalização, por exemplo. Por meio de ações regionalizadas, é possível também o compartilhamento de dados e de informações técnicas relativas aos mais diversos temas. Entre as vantagens para o sistema está a oportunidade de maior assertividade nas ações estratégicas do Sistema.

6)    Site: Muito se fala na responsabilidade e habilidades dos profissionais registrados no Sistema Confea/Crea como contribuições diretas para o desenvolvimento do Brasil e para a implantação de políticas públicas que levem à retomada do crescimento nacional. Qual a opinião da senhora sobre essa viabilidade?

Carmem Nardino  – É evidente que a engenharia é determinante para o desenvolvimento e do progresso de qualquer país. No Brasil não é diferente, e os profissionais da engenharia têm papel essencial para esse desenvolvimento. Neste contexto, e ainda levando em consideração as várias modalidades e áreas de atuação desses profissionais, é preciso ter em mente que o mercado de trabalho atual exige desses profissionais outras habilidades além daquela específica de sua formação, tais como proatividade, senso crítico, trabalho em equipe, vontade de inovar etc. De modo que essa questão é remetida para o processo de formação desses profissionais, quais as exigências, os conhecimentos, habilidade e competências necessárias? Nesse sentido, fica evidente a preocupação com temas relacionados à formação profissional e com a necessidade de se discutir o modelo atual de ensino da engenharia, as diretrizes curriculares dos cursos de graduação e a carga horária mínima desses cursos, inclusive combatendo a excessiva criação de novos cursos. Esse assunto precisa entrar na pauta de debate entre o Sistema Confea/Crea, as instituições de ensino e as entidades de classe, para que se chegue a um consenso que corresponda às reais necessidades do país.


Estamos online das 7:30h às 13:30h!